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EDUCAÇÃO PÚBLICA: O MODELO IDEAL DE DOUTRINAÇÃO

Autor: Mateus Almeida, hoppeano, estudante de Engenharia Elétrica – PUC-Minas – e Engenharia Civil – UFMG, 18 anos.

I. INTRODUÇÃO

A educação é um dos grandes dogmas da sociedade contemporânea. É absolutamente comum ouvir grupos de pressão e políticos falando sobre a necessidade de se promover a educação no Brasil. Governos abrem mão de controlar infraestrutura, saúde, segurança e até mesmo a própria moeda. Mas não abrem mão do controle educacional. Isso porquê em termos estratégicos e políticos, não há nada mais precioso que o controle da educação. A escola pode ser, e neste caso é, aonde que está a semente de toda um padrão de pensamento. Se toda a propaganda governamental que é feita nas salas de aula conseguir perdurar na mentalidade dos estudantes estes jovens não serão nenhuma ameaça ao aparato estatal. Mas como foi dito por Rothbard: é claramente absurdo limitar o termo “educação” para um tipo de escolaridade formal (ROTHBARD, 2013, p.7). Então, desse modo, doravante, a educação pública, aqui, passa-se a chamar-se de matriz doutrinadora estatal.

Há um desequilíbrio que faz com que a disputa político-ideológica torne-se completamente tendenciosa e foi explicitado em:

O que necessita urgentemente de correção é o atual desequilíbrio dramático entre as famílias e o estado. É um desequilíbrio que favorece esmagadoramente o poder de controle da esfera política contra o poder de controle dos pais e filhos no que tange a busca de ambientes educativos que são mais adequados ao pleno desenvolvimento educacional do indivíduo. O que está em jogo é nada menos do que o próprio conceito do que significa viver e prosperar como um ser humano. As pessoas devem ser controladas e forçadas, desde o berço, por enormes burocracias políticas com agendas predefinidas sobre quem pode ensinar e como, o que temos de aprender e quando? Ou as pessoas podem geralmente concluir sozinhas o que está em seus melhores interesses e procurar maneiras de tornar os interesses consistentes com o (corretamente entendido) “bem comum”? […] a educação deve ser conduzida num cenário institucional de liberdade, ou deve ser financiada e administrada compulsoriamente? Esta é uma antiga questão que remonta aos primórdios da filosofia política, mas que raramente é discutida hoje, no entanto, torna-se especialmente pertinente neste tempo de aumento da violência e de declínio de valores nas instituições de educação pública. Decidir que o governo e não a família é o principal responsável pela supervisão da educação da criança pode, num primeiro momento, parecer uma pequena concessão. Mas […] não é fácil – e pode de fato ser impossível – controlar o poder político, uma vez que este ganha o controle da escolaridade. (ROTHBARD, 2013, p. 9)

Por meio deste artigo faz-se uma crítica não somente sobre a qualidade da educação nas instituições de ensino públicas de forma generalizada; é evidente que existem as instituições boas e as ruins, assim como os profissionais presentes na mesma. Mas indubitavelmente, mantém como finalidade ser a matriz doutrinadora estatal.

II. A MATRIZ DOUTRINADORA COMO FORMADOR CULTURAL

Toda criança vem ao mundo desprovida de faculdades características dos seres humanos totalmente desenvolvidos (ROTHBARD, 2013, p.11). A infância e a adolescência constitui o período espontâneo do desenvolvimento da personalidade. Isso significa que, durante os primeiros anos da ontogênese, i.e. a fase de desenvolvimento, não existe, em cada sujeito, a autoconsciência em relação à formação desse sistema. Trata-se, portanto, de um momento de preparo, que sob condições de vida e educação adequadas, culmina, na adolescência, no nascimento de uma personalidade consciente de si mesma. Tem-se, assim, que durante as idades de desenvolvimento é moldado a forma de pensamento. Todos os indivíduos, desde os primórdios da vida, são resultantes de influências para a formação da personalidade, isto quer dizer que a personalidade se inicia a partir do seu nascimento até determinada fase da vida variando de indivíduo para indivíduo. Assim, os primeiros anos de vida de uma pessoa são decisivos para a gênese de sua futura personalidade. Neste período, são delineadas as principais características psíquicas, a partir da relação da criança com os pais, pessoas próximas, escola e meio ambiente variado conforme sua tradição moral, religiosa, política da comunidade e do meio em que vive. Por isso, estas relações devem suprir todas as suas necessidades físicas e psicológicas. Desse modo, a escola é um formador de pensamento importante.

A cultura, entretanto, possui funções de significação no sentido de sua capacidade para elaborar experiências contingenciais. Ela é, de certo modo, uma forma de reação antropológica ancorada no homem, pois se baseia no histórico ou na experiência de vida pessoal (ALMEIDA, PAGLIARIN, 2019).

II.I.  O PROBLEMA DO ARRANJO DA MATRIZ DOUTRINADORA ESTATAL

Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar. Nelson Rodrigues

O homem é dotado de características intrínsecas individuais, características de imprevisibilidade em nossa formação moral. E isso é um dos fatores decisivos para a sociedade estar em constante desenvolvimento, pois cada indivíduo tem a possibilidade de focar seus esforços em áreas específicas, de modo que, cria-se uma miríade de serviços e produtos diferentes entre si. O que jamais será alcançado caso todos tivessem a mesma matriz formadora de pensamento. A educação em massa é uma negação ao protagonismo individual e um dos piores arranjos para desenvolver de fato a sociedade. Já que existe uma padronização, onde indivíduos são submetidos aos mesmos testes e julgados por meio disso. Essa padronização é destrutiva, permitindo o subjugamento de potenciais notáveis em outras áreas, que não a acadêmica.

Tem-se como alternativa produtiva a educação domiciliar, ou homescholling, onde o próprio indivíduo ou os pais da criança decidem a melhor maneira de educação, com base no conhecimento das aptidões e necessidades pessoais que cada indivíduo possui. Potencializando, assim, as qualidades do estudante.

II.II. EDUCAÇÃO PÚBLICA E CENTRALIZADA: O MODELO IDEAL DE DOUTRINAÇÃO

Desde o surgimento a educação pública, teve como ideal a conquista de pensamentos, pela maioria de seus idealizadores.

Jeremy Belknap em um “Sermão Eleitoral” pregado em 2 de junho de 1785, perante o Tribunal Geral de New Hampshire, idealizou uma educação pública e obrigatória à todos os jovens americanos. Ele apelou para o exemplo da antiguidade quando, de acordo com Licurgo, onde os jovens deveriam pertencer mais ao estado do que aos pais (KOHN, 1946, p. 304)

Os modelos formais e comuns de educação são, atualmente, centralizados e regulamentados pelo estado* de modo compulsório. Nas instituições de ensino públicas, há uma ingerência direta sobre a grade curricular, i.e., a matriz formadora de ensino. Na esfera privada, para que não tenha dissonância com o ideário doutrinador, há fortes regulamentações no ensino. Ao impor a certificação de padrões mínimos, o estado efetivamente, embora de forma sutil, domina as escolas privadas e as torna, na verdade, extensões do sistema de escolas públicas. Somente a remoção do ensino compulsório e de padrões obrigatórios poderá libertar as escolas privadas e permiti-las funcionarem de forma independente (ROTHBARD, 2013, p.26). Pode-se afirmar então, que, basicamente, toda a carreira acadêmica dos indivíduos, atualmente, está sujeita a fortes interferências do leviatã, para que a matriz doutrinadora perpetue-se. A tirania subtrai-lhes toda e qualquer liberdade de agir, de falar e quase de pensar (LA BOÉTIE, 1997, p.16) Além disso, como consequência da falta de liberdade no mercado, é oferecido um serviço abaixo do ideal.

A educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre aquelas que ainda não estão maduras para a vida social. Tem por objeto suscitar e desenvolver na criança certo número de estados físicos, intelectuais e morais dela exigidos pela sociedade política em seu conjunto e o meio especial ao qual é especificamente destinada. (DURKHEIM, 2011, p. 26)

Segundo a definição de Durkheim, a sociedade política diz respeito à sua totalidade com as diferentes formas de conceber a educação em cada grupo distinto. Nada tem a ver com políticos ou o governo a ingerência na educação. Uma educação livre de imposições seria o modelo ético e racional que nos levaria a um progresso social e econômico nunca antes visto na história da humanidade.

III. CONCLUSÃO

A educação é um processo de desenvolvimento pessoal, padronizá-lo é o mesmo que impedir o desenvolvimento das pessoas, e esse cenário piora ainda mais quando a educação se torna coletiva. Além disso, a educação é algo fundamental para a formação cultural da sociedade, e por esse motivo esse é um setor estratégico para o estado, que ao dominá-lo consegue controlar diretamente a cultura, incluindo agendas induzidas por governantes e militantes partidários. Assim também, a defesa da manutenção de certos fatos sociais de ampla aceitação e louvor pelas massas. Isso pode ser visto no mundo inteiro visto que todos os governantes precisam de uma base de legitimação psicossocial sobre a qual estabeleça as pautas que defenderá publicamente. A educação obrigatória tem como único intuito criar obediência aos seus governantes, e a criação de massa de manobra.

NOTA DO AUTOR

*Optou-se pela grafia “estado” com letra “e” minúscula, embora a norma culta sugira a grafia “Estado”. Neste sentido, a revista Veja argumentou que:

[…] se povo, sociedade, indivíduo, pessoa, liberdade, instituições e justiça são escritas com minúscula, não há razão para escrever estado com maiúscula […] Os povos de língua inglesa […] não consideram uma dádiva do estado o direito à boa vida material sem esforço. Grafam ‘state’. Com maiúscula, estado simboliza uma visão de mundo distorcida, de dependência do poder central, de fé cega e irracional na força superior de um ente capaz de conduzir os destinos de cada uma das pessoas (VEJA, 2007, ed. 1999, p. 9).

Ademais, foi elucidado no livro “Democracia, O Deus Que Falhou” pelo editor:

A justificativa de que a maiúscula tem o objetivo de diferenciar a acepção em questão da acepção de “condição” ou “situação” não convence. São raros os vocábulos que possuem somente um único significado, e ainda assim o contexto permite a compreensão e a diferenciação dos significados. […] o editor considera que grafar estado é uma pequena contribuição para a demolição da noção disfuncional de que o estado é uma entidade que está acima dos indivíduos (HOPPE, 2014, p. 9).

As ideias supracitadas estão de acordo com as opiniões do autor deste artigo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, Mateus. PAGLIARIN, Joana. Manifesto contra os liberteens. IN: Gazeta Libertária. Disponível em: <https://gazetalibertaria.news/joanapagliarin/manifesto-contra-o-liberteen/> Acesso em 04 abr. 2019.

DURKHEIM, Émile. Educação e Sociologia. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.

HOPPE, Hans-Hermann. Democracia: o deus que falhou. São Paulo: Instituto Ludwig von Mises, 2014.

KOHN, Hans. The Idea Of Nationalism. Nova Iorque: The Macmillan Company, 1946.

LA BOÉTIE, Étienne de. Discurso da servidão voluntária. São Paulo: Brasiliense, 1997.

ROTHBARD, Murray N. Educação Livre e Obrigatória. São Paulo: Instituto Ludwig von Mises, 2013

O grito de Liberdade nos gramados: Uma análise sócio-econômica sobre o futebol

INTRODUÇÃO

O futebol é uma das mais valiosas formas de expressão cultural que a humanidade já produziu. Este esporte que conquistou o mundo por sua simplicidade e sua facilidade em ser praticado, revelou-se, no decorrer de sua ainda curta história, ser um poderoso meio de transmissão de ideologias e diretrizes políticas. Entende-se o esporte como fenômeno social de extrema relevância para a compreensão da História contemporânea.

O futebol vem passando por transformações e ganhando importância no cenário econômico e político desde a primeira metade do século XX. É certo que os primeiros estudantes ingleses e posteriormente os operários que contribuíram de forma significativa para a difusão do esporte em todo mundo, não esperavam que um dia o futebol pudesse se tornar o maior fenômeno de entretenimento mundial, muito menos esperar que o futebol viesse a servir para difundir a política de um país. Ao longo de sua curta história oficial, o futebol manteve uma estreita relação com a política, variando de intensidade de acordo os momentos históricos e os lugares.

O futebol não se encontra descolado da sociedade, ao contrário, interage de forma marcante nessa. Assim, a burocratização, o autoritarismo e a censura imposta pelos regimes na sociedade encontraram no futebol uma arma de manipulação política. Conforme teorizou Roberto DaMatta, a política se constrói mediante cerimoniais ritualizados cotidianamente nas sociedades. Assim, elementos dramáticos como futebol, o carnaval e as procissões religiosas são extremamente importantes para a concretização de determinados governos e projetos políticos (DAMATTA, 1983, p. 27)

Visto isso é possível concluir que o futebol é usado como arma política, de modo que há uma tentativa de impor certo pensamentos ou cultura, para que a ideologia estatista e políticos perpetuem no poder coercitivo. Então, este artigo pretende demonstrar, por meio de exemplos históricos, como o estado* utiliza esse esporte como forma de manipulação e como isso é prejudicial para a sociedade.

 

I. O FUTEBOL COMO ARMA POLÍTICA

I.I. O FUTEBOL NA ITÁLIA FASCISTA

Antes do começo da 2° Guerra Mundial, no momento de fragilidade na Europa, o fascismo de Mussolini utilizou o futebol tanto como propaganda de estado, como forma de controle. O ditador realizou várias interferências no futebol italiano entre os anos 1927 e 1938, transformando nomes de equipes, fundindo sociedades esportivas, mudando regras de campeonatos, fraudando a arbitragem e até mesmo obrigando times a jogarem com uniformes que carregassem os símbolos fascistas. A Itália de Mussolini foi campeã mundial por 2 vezes consecutivas, nos anos de 1934 e 1938, e este feito era utilizado por ele para mostrar a forma do estado Fascista Italiano. A copa de 1938 foi realizada na Itália, e Mussolini buscou mostrar para todo o mundo a força de seu país, investindo pesado na organização da competição e no treinamento dos jogadores que atuariam pela Azzura, apelido da seleção italiana, devido a jogar com o uniforme azul. Mesmo com a tradição de vestirem-se de azul, Mussolini obriga os jogadores da Azzura a jogarem de preto, pois esta era a cor que simbolizava o regime. Evidenciando o plano Fascista:

Tais elementos identificam e congregam todos os italianos como um povo único e distinto de todos os outros no mundo, unido por mentes em uma única ideologia (Fascismo) e braços fortes para a reconstrução e crescimento da Itália. (FILHO, 2011, p. 79)

IMAGEM 1: SELEÇÃO ITALIANA FAZ SAUDAÇÃO FASCISTA

E foi jogando de preto e cumprimentando Mussolini, que estava presente na tribuna de todos os jogos da seleção, que os jogadores conquistaram o bi-campeonato mundial para a Itália. Muitos jogadores que saudaram Mussolini, anos depois estavam lutando contra ele quando explodiu a 2° guerra mundial. Cumprindo, assim, as intenções políticas do estado Fascista. Tudo no estado, nada contra o estado (MUSSOLINI apud TOGLIATTI, 1978, p. 24). [1]

I.II. O FUTEBOL NA ALEMANHA NAZISTA

Hitler também buscou utilizar o futebol como forma de propaganda de sua ideologia nazista. O estado Nazista, na tentativa de comprovar a superioridade da raça ariana sobre as demais, realizou vários investimentos na área dos esportes, tentando formar super atletas, que fossem imbatíveis em qualquer modalidade esportiva. Hitler interferiu nos campeonatos locais dos países que eram ocupados pela Alemanha Nazista, buscou exterminar os judeus que atuavam em equipes alemãs, dissolveu equipes e campeonatos que oferecessem risco a sua ideologia e fomentou a formação de equipes de futebol ligadas às forças armadas da Alemanha. Quando Hitler anexou a Áustria, dissolveu a seleção nacional, que era favorita para jogar a Copa do Mundo de 38, anexando os melhores jogadores a equipe nazista. Alguns jogadores austríacos, como Sindelar, que era o craque da equipe, eram antinazistas e se recusaram a defender a equipe nazista alegando vários motivos como lesões, deficiência técnica e debilidade física. Sindelar e sua mulher que era judia foram encontrados mortos por asfixia, e não se sabe se foram mortos pela polícia nazista ou se cometeram o suicídio devido à perseguição pela polícia alemã. [2]

IMAGEM 2: SELEÇÃO ALEMÃ COM JOGADORES AUSTRÍACOS FAZENDO SAUDAÇÃO NAZISTA

 

I.III. O FUTEBOL NO ESTADO NOVO

Não foi somente na Europa que o futebol manteve uma estreita relação com os regimes autoritários. Como ato comum aos governos mais autoritários, a Era Vargas também utilizou o futebol como arma política, visando alcançar o projeto de construção de um “novo homem”:

O grande projeto político a ser materializado no estado Novo, iniciado com a Revolução de 1930, tinha como núcleo central a construção da nacionalidade e a valorização da brasilidade, o que vale dizer, a afirmação da identidade nacional brasileira […] Estava em questão a identidade do trabalhador, a construção de um homem novo para um estado que se pretendia novo, e incluía-se igualmente nesta pauta a delimitação do que seria aceito como nacional e, por contraste, o que seria considerado estrangeiro, estranho, ameaçador. Ambicioso e extenso, o projeto estado-novista deveria orientar todas as iniciativas do estado dirigidas à sua própria construção e à construção da sociedade (BOMENY, 1999, p. 151)

Para cumprir a ousada missão foram implantadas várias reformas técnicas e criadas inúmeras propagandas para incutir nos habitantes do país a noção de pertencimento, unidade e identidade nacional. Assim, todos os elementos ligados ao regionalismo, como as crenças populares, ideias separatistas e exaltação da diferença social e econômica entre as diferentes regiões da federação foram severamente combatidos pelo estado Novo.

IMAGEM 3: GETÚLIO VARGAS ACENA PARA O PÚBLICO DURANTE A INAUGURAÇÃO DO ESTÁDIO DO PACAEMBU

Houve, durante a Era Vargas, um esforço para consolidar o futebol como esporte nacional e instrumento político, já que isso poderia ajudar a concretizar o projeto de construir uma nação ordenada e disciplinada. Mas, apesar de o estado Novo – período de 1937 a 1945, em que Vargas impôs um governo autoritário – tentar concretizar o seu projeto de construir uma nação ordenada e disciplinada com o futebol, havia muitos aspectos do esporte que enfrentavam esse plano. Pelo fato do futebol brasileiro ter um estilo individualista e que preza a plasticidade das jogadas. Além disso, a própria população brasileira indiretamente se manifestava contra a ideologia deste pelo esporte. A valorização do estilo individualista foi uma dessas marcas.

Há também o destacamento da disputa regional que havia na época entre o Rio de Janeiro e São Paulo. A rivalidade entre os estados para decidir quem era melhor no futebol era tão grande que até os jornais na época trocavam ofensas quando havia jogo entre um time do Rio e outro de São Paulo. E essa rivalidade prejudicava a idéia de união nacional do estado Novo. [3]

I.IV. O FUTEBOL NO GOVERNO MILITAR

Após a queda de João Goulart, em março de 1964, a nova ordem estreitou as relações com o futebol e mudou os rumos do esporte no Brasil. O episódio que melhor simboliza esta questão é a conquista da Copa de 1970 realizada no México. À medida que se aproximava a Copa do Mundo de 1970, o estado brasileiro buscou se aproximar e aumentar sua interação com o futebol, na tentativa de utilizá-lo como propaganda para o Governo Militar. Durante as eliminatórias da copa de 70, o técnico da seleção brasileira era o jornalista comunista João Saldanha, que era admirado pelo próprio presidente Médici, devido ao seu desempenho pela seleção. Mas devido a sua orientação política e por não aceitar a intervenção do governo na seleção, Saldanha é demitido e Zagallo é posto em seu lugar. Com Zagallo no comando da seleção, os militares tiveram ampla liberdade para participar da comissão que iria para o México disputar a copa do mundo. Com a conquista do mundial, os militares utilizaram a seleção para fortalecer a propaganda do estado brasileiro perante o mundo e também para controlar os sentimentos dos brasileiros descontentes com o regime. O governo explorou a vitória brasileira, potencializando a idéia da “unidade da diversidade” no país. E foi neste mesmo período, que foi criada a famosa propaganda do estado Militar, “Brasil ame-o ou deixe-o”, tentando buscar uma unidade e um sentimento de pertencimento a nação entre os brasileiros. [4]

Médici, um apaixonado por futebol, realmente escorou-se na conquista do tricampeonato no México para alimentar a retórica do estado nacional-desenvolvimentista, mas esta utilização não pode empanar outros importantes fatores em jogo: é preciso questionar, por exemplo, se os resultados dessa política teriam sido satisfatórios […] se o movimento ufanista que se seguiu à conquista já não estava em gestação, faltando-lhe a ignição que a Copa proporcionou; e, enfim, se as massas que foram às ruas festejar a vitória no México não estavam aproveitando a situação para um “desabafo” que a máquina da repressão impediria em qualquer outra circunstância – ou seja, […] os brasileiros que festejaram a conquista de 70 talvez não estivessem tão alheios ao que se passava no Brasil de Médici (GUTERMAN, 2004, p.276).

IMAGEM 4: PRESIDENTE MÉDICI ERGUE A TAÇA DA COPA DO MUNDO DE FUTEBOL

 

II. AS REGULAMENTAÇÕES NO FUTEBOL

É evidente, na história brasileira a intervenção estatal no futebol brasileiro; mesmo há décadas atrás, já era possível notar o estado regulamentando alguns atos internos, sejam estes relacionados a transferências de jogadores ou normas mínimas dos clubes, etc.

Com o crescimento do futebol no Brasil, surgiram durante a era Vargas as primeiras intervenções estatais, tendo como objeto as negociações de jogadores entre clubes e a profissionalização dos atletas. A primeira regulamentação foi um decreto emitido pelo estado Novo, no qual se determinava que as transferências entre atletas e clubes fossem realizadas em determinados padrões, deixando o governo a critério dos clubes a adoção ou não do mandato.

Tal fato impactou no mercado de jogadores nos anos 30, em que antes do decreto existia uma flexibilidade maior nas transferências entre clubes e jogadores, possibilitando-lhes permanecer no clube de seu interesse com as condições que sua liberdade contratual permitisse – liberalidade contratual essa estipulada antes da transferência do jogador ao clube, garantindo mais liberdade no âmbito dos contratos e conseqüentemente em sua adaptação. Se antes da regulamentação imperavam o livre mercado e a liberdade contratual, após as regulamentações, tudo mudou, tendo o termo “profissionalização” sido adotado a partir de então. Deu-se em 1933 o primeiro registro dos novos termos que regeriam o futebol brasileiro.

Outro acontecimento significativo dessa intervenção do estado nas questões desportivas foi o Decreto-Lei nº 3.199, de 14 de abril de 1941, que estabeleceu as bases de organização dos desportos no país. De modo que, foi criado o Conselho Nacional de Desportos (CND), subordinado ao Ministério da Educação e Saúde, o qual teria como finalidade orientar, fiscalizar e incentivar a prática de todos os desportos no Brasil. O conselho era composto por nove membros, nomeados pelo presidente da república. O ponto mais relevante desse decreto de lei não foi a criação do CND, apesar de sua importância nas relações futuras entre o desporto e o estado; a mais significativa foi a criação dos segmentos que seriam obrigatórios para todos os esportes. Essa lei montou uma pirâmide institucional, tendo em sua base clubes de prática desportiva, ligas e entidades de base. Acima deles, no âmbito dos estados, agregando as entidades de prática por ramo desportivo, encontravam-se as federações. Mais acima, reunindo as federações em todo o país, estavam as confederações, que, ligadas diretamente ao CND, eram as entidades máximas de direção dos desportos nacionais (BRASIL, 1941).

A regulamentação interferiu na relação privada, determinando os termos mínimos de contratação. O clube então deve, mesmo após o encerramento do contrato, pagar o valor ao jogador, impedindo a transferência do atleta para outros clubes. Passa a ser necessário o pagamento do valor ao clube detentor do “passe”, não havendo mais contrato vigente entre as partes. O mínimo detalhe dessas transações, a quantia do “passe”, não era estipulado pelas partes (clube e jogador). Era um ato unilateral, onde o jogador era obrigado a se filiar à instituição que lhe pagaria um valor fixo, tendo sido vedado ir para outra de livre e espontânea vontade, limitando a liberdade contratual.[5]

III. A PROBLEMÁTICA DA INTERVENÇÃO ESTATAL NO FUTEBOL: UMA ANÁLISE SÓCIO-ECONÔMICA

Sabe-se que a cultura é o pilar de uma sociedade e molda as pessoas. A cultura possui funções de significação no sentido de sua capacidade para elaborar experiências contingenciais. Ela é, de certo modo, uma forma de reação antropológica ancorada no homem, pois se baseia no histórico ou na experiência de vida pessoal (ALMEIDA, PAGLIARIN, 2019). Tem-se, também, que o futebol é um jogo que emociona multidões, ocupando em nossa cultura a função de esporte nacional que nos levou já muitas vezes à consagração internacional (WITTER, 2003, p.163). Visto a importância do futebol e a vontade de perpetuação de poder estatista, conclui-se que o futebol é usado como arma política e de manipulação cultural. Já que o estado detém o poder coercitivo dos vínculo hegemônicos. A tirania subtrai-lhes toda e qualquer liberdade de agir, de falar e quase de pensar (LA BOÉTIE, 1997, p.16). Isso porque:

No estado hegemônico, não há direito nem lei; só existem ordens e regulamentos que o diretor pode mudar diariamente e aplicar tão discriminadamente quanto queira, e às quais os tutelados devem obedecer. Os tutelados só têm uma liberdade: obedecer sem fazer perguntas (MISES, 2010, p.245).

No que tangencia a intervenção econômica estatal, sabe-se que como consequência disso há a criação de uma artificialidade no mercado, diminuindo as trocas entre os clubes, a qualidade dos campeonatos. De modo conseguinte piorando a diversidade de oportunidades e minando o esporte que até agora representa a festividade cultural de uma sociedade. Devido a impossibilidade de:

elaborar uma fórmula de previsão que utilize a concepção de causas eficientes intemporais que nos tornaria capaz de prever cientificamente alterações na demanda por moeda. A demanda por moeda depende necessariamente do futuro estado de conhecimento das pessoas, e conhecimentos futuros são imprevisíveis. E, portanto, o conhecimento praxeológico tem uma utilidade para previsões bastante limitadas (HOPPE, 2010, p.39).

e ao regulamentar a situação empregatícia e dos salários, o salário mínimo não só faz a “manutenção” do desemprego como impossibilita que os salários aumentem também:

Salários reais só podem aumentar, mantidas inalteradas as demais circunstâncias, na medida em que o capital se torne mais abundante. Se o governo ou os sindicatos conseguem forçar salários superiores aos que teriam sido estabelecidos pelo mercado de trabalho não obstruído. A oferta de trabalho excede a sua demanda. Surge o desemprego institucional (MISES, 2010, p.877, 878).

e também, como efeito das regulações, sabe-se que:

Se só as circunstâncias do mercado podem determinar os preços, estes não podem ser manipulados ao sabor da compulsão governamental. Um decreto do governo é apenas um dado a mais para ser processado pelo funcionamento do mercado; não produz, necessariamente, os resultados que o governo desejava obter ao recorrer a ele. Pode ocorrer que o resultado final da interferência seja, do ponto de vista das próprias intenções do governo, ainda mais indesejável do que a situação existente que o governo pretendia alterar. […] tal interferência produz resultados que são o oposto dos pretendidos; que a situação piora, em vez de melhorar, do próprio ponto de vista do governo e dos que apoiam suas medidas intervencionistas. Antes da intervenção, o governo considerava os preços de alguns bens muito altos. Como resultado do tabelamento, a oferta desses bens diminui ou desaparece completamente. O governo interfere porque considera que essas mercadorias são de primeira necessidade, são indispensáveis. Mas sua ação reduz a quantidade disponível. É, portanto, do próprio ponto de vista do governo, absurda e contraditória (MISES, 2010, p.862, 866).

NOTA DO AUTOR

*Optou-se pela grafia “estado” com letra “e” minúscula, embora a norma culta sugira a grafia “Estado”. Neste sentido, a revista Veja argumentou que:

[…] se povo, sociedade, indivíduo, pessoa, liberdade, instituições e justiça são escritas com minúscula, não há razão para escrever estado com maiúscula […] Os povos de língua inglesa […] não consideram uma dádiva do estado o direito à boa vida material sem esforço. Grafam ‘state’. Com maiúscula, estado simboliza uma visão de mundo distorcida, de dependência do poder central, de fé cega e irracional na força superior de um ente capaz de conduzir os destinos de cada uma das pessoas (VEJA, 2007, ed. 1999, p. 9).

Ademais, foi elucidado no livro “Democracia, O Deus Que Falhou” pelo editor:

A justificativa de que a maiúscula tem o objetivo de diferenciar a acepção em questão da acepção de “condição” ou “situação” não convence. São raros os vocábulos que possuem somente um único significado, e ainda assim o contexto permite a compreensão e a diferenciação dos significados. […] o editor considera que grafar estado é uma pequena contribuição para a demolição da noção disfuncional de que o estado é uma entidade que está acima dos indivíduos (HOPPE, 2014, p. 9).

As ideias supracitadas estão de acordo com as opiniões do autor deste artigo.

FONTES

[1] CLEZAR, Mateus de Souza. Futebol e Fascismo: Como o Fascismo Italiano se manifestou no Calcio. 2015. 63 f. Artigo (Trabalho de Conclusão de Graduação) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – IFCH, UFRGS, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

[2] ROLLING STONES. Matthias Sindelar, um dos motivos pelos quais Adolf Hitler invadiu e anexou a Áustria em 1938. Disponível em:
<https://rollingstone.uol.com.br/edicao/edicao-89/o-craque-imortal>. Aceso em 16 mar. 2019.

[3] PARDINI, Melina Nóbrega Miranda. Futebol e o Projeto de Unidade Nacional no estado Novo. X Simpósio Internacional, Campinas, p. 9, abr. 2007.

PARDINI, Melina Nóbrega Miranda. A Narrativa da ordem e a voz da Multidão:
O Futebol na imprensa durante o estado Novo (1937-1945). 2009. 236 f. Artigo (Trabalho de Pós-graduação) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, USP, Universidade de São Paulo, São Paulo.

[4] GUTERMAN, Marcos. Médici e o Futebol: a utilização do esporte mais popular do Brasil pelo governo mais brutal do Regime Militar. Revista Cultura e Poder: O Golpe de 1964 – 40 anos depois, São Paulo, v. 29, n. 01, jul./dez. 2004.

[5] INSTITUTO LIBERAL. Por que a intervenção estatal atrapalha o futebol. Disponível em:
<https://www.institutoliberal.org.br/blog/por-que-a-intervencao-estatal-atrapalha-o-futebol/>. Acesso em 16 mar. 2019.

REFERÊNCIAS DAS IMAGENS

IMAGEM 1: Disponível em: <https://trivela.com.br/wp-content/uploads/2015/04/azzurra.jpg>

IMAGEM 2: Disponível em: <https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6013a32b/21026687_RKjKL.jpeg>

IMAGEM 3: Disponível em: <http://www.alambrado.net/wp-content/uploads/2015/08/foto2_pacaembu.jpg>

IMAGEM 4: Disponível em: <https://m.trivela.com.br/wp-content/uploads/2014/03/Copa-1970_Medici-com-a-taça-540×305.jpg>

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, Mateus. PAGLIARIN, Joana. Manifesto contra os liberteens. IN: Gazeta Libertária. Disponível em:
<https://gazetalibertaria.wordpress.com/2019/03/10/manifesto-contra-o-liberteen/> Acesso em 17 mar. 2019.

BOMENY, Helena M. B. Três decretos e um ministério: a propósito da Educação no Estado Novo. IN: IN: PANDOLFI, Dulce (Org.). Repensando o Estado Novo. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getulio Vargas, 1999.

BRASIL. Decreto nº 3.199, de 14 de abril de 1941. Estabelece as bases de organização dos desportos em todo o pais. Diário Oficial, Rio de Janeiro, RJ, 14 abr. 1941

CLEZAR, Mateus de Souza. Futebol e Fascismo: Como o Fascismo Italiano se manifestou no Calcio. 2015. 63 f. Artigo (Trabalho de Conclusão de Graduação) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – IFCH, UFRGS, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

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FILHO, Rafael M. I. Os discursos de Benito Mussolini: uma proposta de construção da identidade cultural italiana. Rio de Janeiro: UFRJ, 2011.

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WITTER, J. S. Futebol – Um fenômeno universal do século XX. Revista USP, n. 18, 03 ago. 2003.

Quinze de Março Libertário

O povo está farto de seus governantes. O povo está farto de ser enganado. O povo está cansado de ser empobrecido. O povo dá um basta ao desvio de verbas e uso da máquina estatal para o benefício de particulares e corporações. Até mesmo quem apoia o grupo que está no poder desaprova o modo como governa e suas atuais políticas.

Há uma revolta generalizada que irá desaguar nas ruas de todo o território brasileiro no dia 15 de março de 2015. Sob diversas bandeiras, o povo gritará contra a atual presidente, contra seu partido, contra a corrupção e a favor de muitas coisas como o impeachment, intervenção militar, investigação da Operação Lava Jato, BNDES, a condenação dos envolvidos e várias outras.

O Partido Libertários apoia a manifestação. Entende que é legítimo reivindicar nas ruas as suas ideias e posições e que a mobilização pode propagar ideias e mobilizar e envolver outros indivíduos nas causas defendidas. O que o LIBER não defende são as bandeiras abstratas ou absurdas que estão sendo levantadas.

Alguns libertários estão envolvidos, pessoalmente, de algum modo com movimentos que estão participando ativamente dos protestos. O LIBER, por outro lado, quer deixar claro o que defende. Se há interesse em participar e muitos de nós irão para as ruas, que nossas bandeiras sejam claras.

Secessão
A solução óbvia para muitas das reivindicações populares é a separação das entidades federativas. Separação não é levantar muros e expulsar pessoas nascidas em outros locais. Separação é não ter de sustentar Brasília. É retirar do bolso dos mais pobres, das regiões mais remotas, a conta do luxo e do gasto dos políticos e dos funcionários públicos com seus privilégios. Para acabar com a falcatrua no Palácio do Planalto e no Congresso Nacional, basta não enviar dinheiro para lá. O LIBER entende que o dinheiro deve ficar com quem o produziu e isto nos leva à nossa segunda bandeira.

Imposto = Roubo
Todo imposto, tributação e taxa são um assalto e extorsão. O povo brasileiro é ameaçado a pagar a conta e vê a sua qualidade de vida despencar ao ter todos os produtos consumidos taxados à 40% em média. Alimentos, remédios, vestuário e tudo o mais são muito caros por conta dos impostos embutidos. O consumidor final, isto é, o cidadão, sempre paga a conta para sustentar parasitas do dinheiro roubado.

Impeachment de Todos
Não adianta trocar de líder. O povo parece ter acordado para isto, mas muitos ainda não entenderam a questão. Dilma, Temer, Aécio e qualquer outro político têm o mesmo incentivo: se aproveitar da máquina em benefício próprio, colocar os amigos no poder e favorecer aliados. A única forma de enfraquecer os políticos e retirando poder de suas mãos. É preciso diminuir o poder de legislar sobre os outros (secessão), diminuir a arrecadação (cortar impostos) e diminuir o papel do governo na sociedade, passando o comando de empresas e serviços para os funcionários, cooperativas, empresas ou indivíduos que administrem de modo a fornecer o produto/serviço de forma eficiente, ou seja, com poucos custos e a um preço competitivo.

Não deixe que movimentos pautem as manifestações pedindo mais estado, como a intervenção militar por exemplo, ou a troca de líderes (eleitores do Aécio). A nossa luta é pela liberdade. A nossa luta é pela autonomia e autodeterminação individual. Muitos manifestantes desconhecem nossas reivindicações. Eis um bom momento para mostrar o que defendemos.

Filipe Rangel Celeti,
coordenador estadual do LIBER-SP e membro do Comitê Executivo do LIBER

Rafael Lemos,
presidente do LIBER

Espalhe liberdade, não ódio

É inquestionável que os últimos 20 dias foram transformados numa sangrenta batalha campal. O mundo conheceu a disputa eleitoral mais acirrada da história brasileira que custou amigos, colegas de ideologia que se maldizeram por diferenças cosméticas e relações parentescas abruptamente cortadas. O resultado, então, veio à público, atendendo misteriosamente ao projeto de poder continuamente crescente e da multiplicação dos tiranos de sabedoria centralizada. Nós imputamos uns aos outros a culpa dolorosa, determinamos os grupos que nos condenaram ao inevitável fracasso nas urnas, que nos rumaram à miséria e à desarmonia.

Nós não poderíamos estar mais cegos, ou desconexos, com o infame e complexo teatro do poder centralizado. Os habitantes do norte estão culpando os habitantes do sul e os habitantes do sul estão culpando os do norte, enquanto os tiranos observam nosso comportamento facilmente previsível, nosso apego inocente pelas suas promessas e programas, que pouco ou nunca são cumpridas, afim de atirar uma migalha de pão ao miserável para manter sua dependência, e os miseráveis são todos nós: empresários, médicos, engenheiros, auxiliares, estagiários, donas de casa, ricos, pobres, nortistas e sulistas. Enquanto os inimigos tomam suas propriedades, removem sua liberdade, vocês estão atirando em amigos. Eu os convido a apontar suas armas aos políticos e ao sistema cálido, imperador e tirânico que verdadeiramente lhe ameaçam.

Uma forma legítima de enfraquecê-los, que respeita os princípos de liberdade, a sua propriedade e sua vida, é dividir o poder em tantas vezes quanto possível para reduzir o alcance de suas garras. Este movimento conhecido tecnicamente como secessão tem como princípio fundamental que o território secedido deixe de seguir as regras e leis as quais anteriormente pertencia, e que os habitantes deste território então formulem suas próprias regras e vivam pacificamente com elas e em harmonia com seus vizinhos.

Na contramão deste modelo pacífico, surgiram modelos carregados de ódio e tomados pelo preconceito, sequestrados pelo sorrateiro teatro do poder, modelos do mau combate e do fogo amigo. Um desejo ardente de separação, onde a premissa básica era o meu em detrimento do seu. Não, não se deixe levar por este sentimento contaminado de governo, de poder, o câncer da prosperidade e da harmonia.

Nós queremos visitar suas praias, comer acarajé e andar de jipe nas dunas. Nós queremos explorar a Amazônia e respirar a beleza tropical, nós queremos ver a liberdade correndo nos veios do Rio Amazonas. Nós queremos sentir a intensidade da noite paulista, acordar na cidade que nunca dorme, saudar o Cristo Redentor e experimentar o realce do sabor gaúcho. Nós não queremos muros, queremos liberdade, respeito e vida.

A liberdade não tem preconceitos, ela abraça os miseráveis, os desafortunados, os injustiçados, os ricos e os pobres, os irmãos do norte e os irmãos do sul. Em suas portas não passam apenas os escolhidos, elites e poderosos, aliás, ela não tem portas. É a arma mais poderosa contra qualquer projeto tirânico. Uma sociedade livre de poder governamental é uma sociedade alicerçada na mais potente rocha, e nem PT ou PSDB será capaz de produzi-la. Apenas você.

Nós te convidamos a espalhar a liberdade ao invés do ódio. Ao invés de luto, luta.

Ajude-nos a conquistá-la.

Rafael Lemos, presidente do Libertários.